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EDP adquire parque eólico de 70MW do Proinfa no RS

Postada em 04/03/2010

A EDP Renováveis anunciou nesta semana a aquisição do parque eólico de Tramandaí, no Rio Grande do Sul. Segundo o vice-presidente da EDP no Brasil, Miguel Setas, o empreendimento, que terá 70MW de capacidade instalada está enquadrado no Programa de Incentivo às Fontes Renováveis de Energia (Proinfa). E, como os demais projetos no âmbito do programa, a usina precisa entrar em operação até o final deste ano.

"Era uma obra que estava com o cronograma atrasado. O projeto pertencia à Elebrás, que ainda possui outros 532MW em usinas do Proinfa no Rio Grande do Sul. Nós compramos o que estava em uma fase mais avançada", explica Setas. Segundo ele, a EDP deve iniciar as obras em breve, com a pedra fundamental sendo lançada em março. Os investimentos na usina estão próximos dos 100 milhões de euros. "É um parque muito importante para a empresa no Brasil, pois a aquisição vai nos posicionar um patamar acima (em relação à presença no setor eólico)", ressalta Setas.

A aquisição do empreendimento foi a solução encontrada pela companhia para aumentar seu portfólio em energia eólica, já que, no primeiro certame específido da fonte, promovido pelo governo em dezembro passado, a opção da EDP foi de não participar. "As condições do leilão não davam garantias de que teríamos o rendimento esperado. Foi estabelecido um patamar de preço muito baixo. Esse valor aproxima a energia eólica de fontes como biomassa e PCHs. E, para nós, essa tecnologia não está suficientemente competitiva para isso", esclarece o executivo, lembrando que Tramandaí vai vender energia pelo preço do Proinfa, superior a R$250 o MWh e muito acima do preço médio de R$148,39 MWh do leilão.

Com esse pensamento, a companhia praticamente se coloca de fora do próximo certame de reserva, que será promovido no segundo semestre e envolverá eólicas, PCHs e usinas a biomassa. "É provável que esse leilão tenha condições de preço semelhantes ao anterior. Nossa decisão está em análise, temos projetos que poderíamos inscrever, mas pode ainda não ser este o momento em que vamos decidir participar", analisa Setas.

O executivo lembra o preço do Proinfa em comparação com o praticado nos leilões. "É esse valor que tem deixado o Brasil desenvolver uma participação privilegiada em energia eólica entre os países da América Latina, o que mostra que ainda são tarifas acima dos R$200MWh que facilitam a viabilização desses projetos".

Ainda em relação ao leilão de fontes alternativas marcado para o segundo semestre, a EDP mostra que poderá ficar de fora também da concorrência entre as PCHs. "Nossa participação vai depender das condições do certame, porque com essa fonte temos uma grande facilidade de comercialização no mercado livre", ressalta o presidente da companhia, António Pita de Abreu.

Fonte: Jornal da Energia

 
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